UBERIZAÇÃO, ENTRE A INOVAÇÃO E A DESIGUALDADE

UMA ANÁLISE RACIALIZADA ACERCA DO FENÔMENO DE PLATAFORMIZAÇÃO DO TRABALHO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.61164/rmnm.v5i1.3669

Palavras-chave:

Uberização; Plataformização; Precarização do trabalho; Subalternização; Racialização do trabalho.

Resumo

Em razão dos reflexos da globalização, do surgimento de novas formas de organização do trabalho, da prestação de serviços e da consolidação do modelo de uberização no cenário nacional, o presente artigo busca analisar como a uberização influencia na racialização do trabalho, proporcionando a precarização e a subalternização, além da reprodução de desigualdades socioeconômicas significativas. A metodologia empregada foi a pesquisa bibliográfica, sobretudo a partir da consulta de artigos do Portal Periódico CAPES, sob o acesso da Comunidade Acadêmica Federada (CAFe) da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) e do Portal do SciELO. Ademais, dividiu-se o artigo no intuito de, em um primeiro momento, abordar o fenômeno da economia de plataforma e da uberização. Em seguida, analisou-se o fenômeno da precarização e da subalternização do trabalho uberizado. Por fim, observou-se como essa conjuntura contribui para a perpetuação da desigualdade de recursos e para a alocação da massa de trabalhadores negros – principal mão de obra nesse setor – para os empregos de maior informalidade, restringindo-os a posições de subserviência, como um reflexo da “servidão moderna”. 

Biografia do Autor

Davi Freitas da Silva, Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa)

Discente do curso de Direito da Universidade Federal Rural do Semi-Árido - Ufersa. Extensionista-bolsista do Centro de Referência em Direitos Humanos do Semiárido (CRDH-Semiárido Ufersa), com ênfase no eixo do Escritório Popular Paulo Freire. Pesquisador do Grupo de Leituras Críticas de Direito e Raça (Ufersa). Participa também do grupo de pesquisa "Do neoliberal ao comum: um estudo das raízes do neoliberalismo como tecnologia de governo e do conceito de comum" (Ufersa). É membro-fundador do Grupo de Pesquisa em Direito Econômico e Desenvolvimento (GPDECO-UFPB). Áreas de maior interesse: Direito Econômico e Desenvolvimento; Direito e Relações Raciais; Teoria Crítica da Raça; Ciências negras, periferias e poder; Direito e Subalternidade

Maria Clara Freitas Cavalcanti, Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa)

Discente do curso de Direito da Universidade Federal Rural do Semiárido - Ufersa. Extensionista do Centro de Referência em Direitos Humanos do Semiárido (CRDH-Semiárido Ufersa), com ênfase no eixo do Escritório Popular Paulo Freire. Participante do Grupo de Leituras Críticas de Direito e Raça - Ufersa. Participa também do grupo de pesquisa "Do neoliberal ao comum: um estudo das raízes do neoliberalismo como tecnologia de governo e do conceito de comum" (Ufersa). Estagiou voluntariamente na 5 Vara Cível da Comarca de Mossoró. Áreas de maior interesse: Direito e Relações Raciais, Teoria Crítica da Raça, Direito e Relações de Gênero, Direito de Família.

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Publicado

2025-03-14

Como Citar

Freitas da Silva, D., & Freitas Cavalcanti, M. C. (2025). UBERIZAÇÃO, ENTRE A INOVAÇÃO E A DESIGUALDADE: UMA ANÁLISE RACIALIZADA ACERCA DO FENÔMENO DE PLATAFORMIZAÇÃO DO TRABALHO. Revista Multidisciplinar Do Nordeste Mineiro, 5(1), 1–18. https://doi.org/10.61164/rmnm.v5i1.3669

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